De que lado você está?
Nem tudo o que parece distorcido está errado — às vezes, é só o ângulo de onde você insiste em olhar.
Engraçado como, às vezes, estamos exatamente no mesmo lugar… e ainda assim enxergamos realidades completamente diferentes.
Recentemente, me deparei com um vidro quebrado. Metade dele permanecia intacta, transparente, quase ignorando o dano ao redor. A outra metade estava tomada por rachaduras, fragmentando tudo o que tentava atravessá-la.
E foi impossível não perceber: o problema nem sempre está no que está diante de nós — mas na forma como nos posicionamos para enxergar.
O mundo não muda de um lado para o outro do vidro. O que muda é a nossa percepção.
Há momentos em que escolhemos o lado da nitidez. Vemos com clareza, com segurança… mas até ali. Existe um limite. Um horizonte que não se revela completamente, por mais límpida que seja a visão.
Em outros momentos, somos forçados — ou talvez levados — ao lado trincado. E ali tudo parece confuso, distorcido, imprevisível. Qualquer pequeno movimento pode alterar completamente o que vemos. É desconfortável. Dá medo.
Mas talvez seja nesse lado que a gente aprende mais.
Existe também um terceiro lugar: o meio.
E esse, para mim, é o mais perigoso de todos.
No meio, nada é totalmente claro nem totalmente distorcido. É onde o certo começa a parecer duvidoso e o erro encontra justificativa. É a zona onde permanecemos quando evitamos decidir, quando preferimos não encarar nem a clareza, nem o caos.
Ficar ali é confortável… mas é também uma forma silenciosa de se perder.
Ir além do que os olhos alcançam assusta. Não porque o desconhecido seja pior — mas porque ele quebra as certezas que a gente construiu para se sentir seguro.
E, no fim, talvez o mais curioso seja isso:
nem sempre o que buscamos é o que realmente importa.
Às vezes, aquilo que nunca procuramos — ou até evitamos — é exatamente o que nos encontra e nos transforma.
A vida, afinal, não é só o que vemos.
É como escolhemos ver.
E mais do que isso:
é sobre estar presente o suficiente para perceber quando estamos olhando pelo lado errado do vidro.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 013
Comentários ( 2)
"Uma linha tênue entre a razão e a emoção! Seguimos tentando acertar..."
"Muito obrigado. Fico muito feliz que tenha gostado ❤ Já aproveita e entra no meu canal no WhatsApp pra acompanhar todas as novidades: https://whatsapp.com/channel/0029Vb8JmVUJpe8aASpleY1b"