A diferença de uma presença
Entre palavras, silêncios e escolhas, é quem está à mesa que transforma o momento em abrigo
No fim daquele dia úmido e chuvoso, sentei-me à mesa.
A xícara de café ainda fumegava, revelando um contraste quase inevitável: o calor insistia em subir enquanto o ambiente permanecia frio. Foi então que pensei em como somos parecidos com aquilo.
Todos nós carregamos algo em abundância. Alguns, silêncio. Outros, pressa. Há quem transborde ansiedade, há quem espalhe leveza. O que existe demais dentro de nós, cedo ou tarde, encontra uma forma de sair. Não precisa de esforço. Não precisa de anúncio. Apenas acontece.
É assim que afetamos o mundo.
Há pessoas que chegam e pesam o ambiente. Outras, sem dizer muito, aliviam. Não é sobre o que falam, mas sobre o que carregam. Porque, no fim, não oferecemos ao outro aquilo que queremos, mas oferecemos aquilo que somos.
E talvez por isso sentar-se à mesa seja um ato tão significativo.
Não é apenas sobre conversar. É sobre estar disposto a ouvir, a perceber, a escolher quando falar e, principalmente, quando não falar. Nem sempre há decisões a serem tomadas. Nem sempre há respostas esperando para serem dadas.
Às vezes, tudo o que a vida pede é menos rigidez.
Um sorriso em vez de um argumento.
Um gesto em vez de uma conclusão.
Um silêncio que acolhe, em vez de palavras que tentam controlar.
Ceder também é maturidade. Compartilhar também é força.
Mas há algo que muda tudo, absolutamente tudo.
Quem está sentado com você.
Porque a mesma mesa, no mesmo dia frio, pode ser um lugar vazio ou um abrigo. A falta pode pesar… ou pode simplesmente deixar de existir.
Existem presenças que aquecem mais que qualquer café.
E, no fim, a verdade é simples… e difícil de ignorar:
Sentar-se à mesa, com a pessoa certa, faz toda a diferença.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 023
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