Poesias

Votar-te

Entre promessas e desilusões, a verdadeira escolha continua sendo preservar a própria humanidade.

20/06/2026 às 00:06 Edição № 063/ 2026 16 leituras
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Votar-te

Hoje é meu dia
de caminhar sozinho,
com fé, sem aflição,
sem medo de viver.

Vou seguindo pela estrada,
simplesmente vivendo,
como quem conhece as sombras
e aprendeu a encontrar luz.

Carrego comigo a arte de viver
em meio ao mundo do egoísmo,
onde muitos se perdem
sem perceber o próprio vazio.

Tolo é quem atravessa a vida
sem parar para pensar,
naquilo que ainda possui,
naquilo que já perdeu,
e no respeito que deixou de existir.

Pagou-se para ver,
e o espetáculo continua:
tantas pessoas passando fome,
enquanto outros fingem ser a resposta
para um tempo que nunca chega.

Tempo de promessas,
de sonhos brasileiros adiados,
de erros antigos maquiados
como se fossem novos caminhos.

E de que vale votar-se novamente,
sem compreender a liberdade?
Sem conhecer a própria vontade?

Vontades são muitas.
Mas acima de todas elas,
permanece a mais humana:

a vontade de viver.


E. Mendes, em Goiânia.

Publicado na Edição Sequencial 063

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