Quando Tudo Desaba
O amor não me salvou, mas me deu um motivo pra continuar
Em um dia qualquer,
Sem aviso —
A vida dobra a esquina
E me atravessa.
Um percalço,
Um instante torto,
Uma daquelas imprevisões
Que não pedem licença.
E tudo se aquieta.
No meio do caos,
O silêncio não acalma —
Ele grita.
Tudo ainda se move,
Mas dentro de mim
Só ficam os restos:
Ausência,
Solidão,
Medo…
E uma dor que não sabe ir embora.
Do medo,
Sobra a incerteza —
E nela eu me afundo,
Criando caminhos que não existem,
Revivendo quedas que nem aconteceram.
É um lugar estranho…
Onde a mente me leva
Pra longe de mim.
Mas é ali,
No ponto mais baixo,
Quando já não sei se levanto
Ou me deixo ficar,
Que algo rompe o escuro.
Não como milagre,
Nem como salvação —
Mas como presença.
Então ela vem.
Não perfeita,
Não ideal,
Mas real o suficiente
Pra me puxar de volta.
Ela não tira a dor —
Mas segura minha mão
Enquanto ela passa.
Ela não silencia o medo —
Mas fica,
Mesmo quando eu não sei ficar em mim.
E é aí que entendo:
Não é que o amor me salvou…
É que, por ela,
Eu decidi não desistir.
Porque quando tudo em mim desaba,
É no amor que sinto por ela
Que eu encontro motivo —
Não pra ser forte,
Mas pra continuar.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 041
Comentários ( 0)
Seja o primeiro a comentar.