Perfeita
Nem toda saudade nasce da ausência de alguém. Às vezes, ela nasce da falta dos dias que pareciam perfeitos enquanto aconteciam.
Não porque fosse sem defeitos,
mas porque havia beleza em sua forma de existir.
Era a companhia dos amanheceres,
quando o sol surgia tímido no horizonte
e a vida parecia ter tempo de sobra.
Presente nos momentos mais loucos,
nas decisões sem roteiro,
nas aventuras que hoje se transformaram em histórias
que o tempo insiste em não apagar.
Presente nas pequenas tardes,
que pareciam comuns,
mas hoje brilham na memória
como tesouros
escondidos no tempo.
Nas breves noites,
os sonhos pareciam mais próximos
e o futuro, uma estrada aberta
diante dos olhos.
A vida segue seu curso.
Os caminhos mudam,
as estações passam,
e cada um encontra seu próprio lugar no mundo.
Existem pessoas que deixam marcas
que não desaparecem com a distância,
nem com o tempo.
O que permanece não é apenas a saudade de alguém.
É a saudade de uma época,
de uma versão da vida mais leve,
dos amanheceres compartilhados,
das tardes sem pressa,
das noites cheias de esperança.
Porque existem pessoas que partem,
mas permanecem vivas nas lembranças
dos dias que ajudaram a construir.
E quando o sol nasce,
algumas memórias ainda despertam.
Não pela ausência de quem ficou para trás,
mas pela beleza dos momentos vividos,
que fizeram a vida parecer, por um instante,
perfeita.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 066
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