Poesias

Onde a Saudade Aprende Meu Nome

Um poema sobre a distância, o amor que permanece e a descoberta de que algumas presenças jamais se despedem.

03/08/2026 às 21:57 Edição № 078/ 2026 17 leituras
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Onde a Saudade Aprende Meu Nome

Oh! Bela Amada

Andaste tão serenamente por minha vida
que mal percebi o instante
em que deixaste de ser caminho
para tornar-te eternidade em mim.

Viste minha ambiguidade,
meu silêncio escondido entre palavras,
e fizeste daquilo que era sombra
uma inesperada alegria.

Não nego minha confusão.
Também não nego minhas certezas.
Há verdades que florescem justamente
no solo da dúvida.

Agora estás longe.

E a solidão,
que antes era apenas ausência,
aprendeu teu nome
e sentou-se ao meu lado.

O sol continua nascendo.
A chuva continua voltando.
O tempo segue seu ofício.

Só a saudade parece ignorar os relógios.

Enquanto isso,
finjo ser poeta,
como se as palavras fossem capazes
de alcançar o lugar
onde minhas mãos já não chegam.

Pergunto à vida:

Por que estás longe de mim?

E a vida, silenciosa,
não responde.

Ainda assim,
sei que habitas dentro de mim,
como a luz permanece no horizonte
mesmo depois do pôr do sol.

Basta fechar os olhos
e caminhar para dentro da alma,
onde a distância perde o sentido
e o amor deixa de precisar de caminhos.

Ah, bela amada...

A vida talvez seja apenas isto:
um lento aprendizado
de compreender o outro
sem deixar de descobrir a si mesmo.

Quando desistimos da verdade,
desistimos também
daquilo que poderíamos ser.

Nada é impossível.

Cada amanhecer revela
um pedaço desconhecido de nós.

Talvez o imperfeito
seja apenas a maneira
que Deus encontrou
de nos ensinar a desejar o infinito.

Hoje já não temo errar.

Aprendi que quem ama de verdade
sempre encontra o outro,
ainda que seja apenas
na memória, na esperança
ou na oração silenciosa.

Assim como atravessaste
minhas incertezas sem julgá-las,
aprendi a amar-te
a partir delas.

Levo-te em meu coração.

Tu és caminho.

Eu, sem teu amor,
sou apenas um viajante
procurando sentido.

Mas teu sorriso me fortalece.
Teu olhar ilumina meus passos.
Teu toque permanece vivo
onde o tempo já não alcança.

E compreendo, enfim,

que o verdadeiro amor
não apaga as feridas.

Ele as transforma em luz.

Porque não vivo apenas para amar-te.

Vivo para aprender
que amar
é também permitir-se
ser amado.


E. Mendes, em Goiânia.

Publicado na Edição Sequencial 078

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