Poesias

O Silêncio e a Solidão

Quando as palavras já não conseguem alcançar o coração.

14/07/2026 às 21:03 Edição № 072/ 2026 28 leituras
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O Silêncio e a Solidão

Quem sabe o silêncio
consiga dizer
o que minhas palavras
já não alcançam.

Quem sabe a solidão
conheça o caminho
até esse vazio
que mora em mim.

De que adianta existir música,
se a mais bela de todas
é justamente aquela
que nunca mais poderei ouvir?

Dizem que todo fim
é o início de uma nova felicidade.
Mas há dias
em que o coração
não acredita no amanhã.

"Eu te amo."
Quantas vezes essas palavras
saíram da minha alma.
Hoje elas ainda vivem em mim,
mas já não encontram
quem as escute.

Não sei o que dói mais:
o medo de ficar sozinho
ou a certeza
de caminhar ao lado da solidão.

O silêncio...
Que estranho companheiro.
Uns dizem que ele não diz nada.
Eu discordo.

Ele responde sem voz,
confirma o que tentamos negar,
alimenta dúvidas,
desperta lembranças
e faz ecoar
o nome de quem partiu.

Há noites
em que a lua parece ouvir meu pranto,
e o vento leva embora
as palavras que nunca tive coragem de dizer.

No fim,
descobri que a solidão tem rosto,
o silêncio tem memória,
e ambos aprenderam
a morar dentro de mim.

Mesmo calado,
o silêncio grita.

E, às vezes,
é o grito que mais machuca.


E. Mendes, em Goiânia.

Publicado na Edição Sequencial 072

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