O Silêncio
Há pessoas que silenciam nossos medos sem dizer uma única palavra. Este poema é sobre esse raro encontro, onde o amor deixa de ser explicação e passa a ser abrigo.
O que dizer do silêncio?
Há palavras
que ferem mais do que o próprio silêncio.
Mas o silêncio...
o silêncio impõe dúvidas,
e as dúvidas
sabem ferir ainda mais.
Então nasce a solidão.
Quem me dera
poder explicar.
Quando se ama,
ela chega mais intensa,
mais profunda,
como uma maré que invade
todos os espaços da alma.
Sentado à janela,
banhado pela luz da lua,
tento imitar Deus,
imaginando que poderia
conduzir minha alma
ao encontro da tua.
Quando penso em alguém,
é por você
que fecho os olhos.
Nunca soube ser completamente eu.
Mas, ao teu lado,
descubro que posso existir
sem máscaras.
Posso ser imperfeito,
e ainda assim,
você compreenderá.
Posso brincar
procurando desenhos nas nuvens.
Posso contar
meus pesadelos,
meus medos,
e até as pequenas futilidades
que ninguém mais teria paciência de ouvir.
Posso despir
não apenas tua roupa,
mas todas as distâncias
que existem entre nós.
Porque o verdadeiro amor
não deseja apenas o corpo.
Deseja o privilégio
de encontrar um lar
na alma de alguém.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 071
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