O Pecado de Não Amar Você
Uma poesia sobre ausência, culpa e os ecos de um amor que sobreviveu à despedida.
Estás tão triste.
Tua voz perde-se entre os dias,
como um eco esquecido
na escuridão das horas.
Perdoa-me.
Não estive presente
quando teu silêncio precisava de abrigo.
Eu estava longe,
distante de ti
e de mim mesmo.
Foram tantas voltas,
tantos caminhos sem destino.
As águas tornaram-se martírio,
o luar, escasso consolo,
e o prazer,
um pecado que já não redime.
Dizias palavras vazias,
ou talvez fosse eu
quem já não sabia compreendê-las.
Perdoa-me.
Perdoa-me por um dia dizer
que não pensava mais em você.
Era mentira.
Minha carne sangra
ao toque das lembranças.
O arrependimento,
fino como uma navalha,
rasga lentamente
o tecido dos meus dias.
Rouba as cores dos pensamentos,
apaga os contornos da esperança
e devolve-me à sombra.
Não amar você
foi o erro que me condenou.
Uma culpa sem juízo,
uma sentença sem fim.
Corta-me.
Mata-me.
Consome-me por inteiro.
Passei incontáveis noites
na companhia do breu,
pagando um preço
que é injusto
e, ao mesmo tempo, merecido.
Porque ainda amo você.
Mesmo quando nego.
Mesmo quando fujo.
Mesmo quando finjo.
E quando a dor me visita,
traz consigo a certeza
de que alguns amores não terminam;
apenas aprendem a viver
na ausência.
Tu foste embora.
Levaste contigo os dias,
os sonhos,
a parte de mim
que acreditava no futuro.
Restou apenas o silêncio,
o vazio
e o pecado
de não amar você
como você merecia.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 061
Comentários ( 4)
"Nossa, que belo! Bem profundo,!!!"
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"Parabéns! Muito profundo, continue assim...amo ler o que vc escreve! Lindo ❤️"
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