Poesias

O Banco do Parque

O velho banco do parque aprendeu que o amor verdadeiro não está nos encontros, mas na decisão de permanecer.

30/05/2026 às 16:35 Edição № 055/ 2026 13 leituras
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O Banco do Parque

Há um banco no parque.

Sempre no mesmo lugar,
sob o mesmo céu,
entre o sol que aquece
e a chuva que insiste.

Imóvel.

Mas ninguém se engane:
ele vê mais do que muitos de nós.

Observa conversas apressadas,
risos que ecoam pela manhã,
promessas feitas ao entardecer,
amores que começam,
e despedidas que parecem eternas.

Vê crianças crescerem,
folhas caírem,
estações partirem.

Vê a vida passar.

E, ainda assim,
permanece ali.

Não diz nada.
Não escreve nada.
Não pede atenção.

Apenas sustenta.

Sustenta o cansaço de quem caminha,
as lágrimas de quem perdeu,
os sonhos de quem espera,
e os abraços daqueles que encontraram
o que procuravam.

Talvez sejamos um pouco como ele.

Às vezes estagnados.
Às vezes parados.
Enquanto tudo ao redor se move.

Sem palavras.
Sem gestos grandiosos.

Mas presentes.

Porque nem tudo que parece imóvel
está sem valor.

Há forças silenciosas
que sustentam mais do que imaginam.

Como o banco do parque,
que ninguém nota por muito tempo,
mas que nunca deixa de estar ali
quando alguém precisa se sentar.

E talvez o amor seja exatamente isso:

não apenas caminhar juntos,

mas viver.

E. Mendes, em Goiânia.

Publicado na Edição Sequencial 055

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