Meu Medo
Quando o amor encontra a insegurança.
Terá meu medo alguma cura?
Talvez eu devesse refletir.
Mas refletir sobre o quê,
se nem eu sei responder?
São tantos os medos
que já não consigo dizer qual nasceu primeiro.
Tenho medo de dormir
e nunca mais despertar.
Tenho medo de sorrir
quando o coração não encontra motivo.
Tenho medo de abrir os olhos
e descobrir que minhas pernas já não me obedecem.
Tenho medo de caminhar
sem saber para onde a vida me leva.
Tenho medo de amar
e nunca encontrar abrigo em outro coração.
Tenho medo de um simples piscar de olhos
e perceber que tudo o que vivi foi apenas um sonho.
Tenho medo até mesmo
de escolher o caminho certo.
Talvez eu tenha medo de tudo.
Às vezes nem sei onde quero chegar,
nem se realmente estou vivendo
ou apenas atravessando os dias.
Mas, entre tantas incertezas,
há uma verdade que permanece intacta:
eu amo você.
Então a noite chega.
O ar se veste de frio,
o tempo desacelera,
e a solidão se senta ao meu lado,
como quem também espera sua chegada.
A lua, as nuvens, o vento
e o silêncio da madrugada
são testemunhas do reflexo do seu rosto
perdido em meu olhar.
Deito-me entre lençóis gelados,
procurando um calor
que nenhuma coberta consegue oferecer.
E quando penso que a solidão já é suficiente,
descubro outro medo.
Um medo sem nome.
Não sei explicá-lo,
não sei de onde veio.
Apenas sinto que ele habita em mim,
silencioso,
esperando o instante em que eu fechar os olhos...
...e tenha medo, mais uma vez,
de nunca mais encontrar você.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 077
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