Fecham-se as Horas
Uma eternidade em instantes.
Fecham-se as horas,
e ainda ouço meu coração
acelerar toda vez
que penso em você.
Quero guardar teus instantes
dentro dos meus,
fazer do tempo um abrigo
onde só existam
o teu sorriso
e a minha vontade de viver
dentro de você.
Ao teu lado,
quero esquecer o mundo,
como se cada segundo
fosse um universo inteiro,
uma vida inteira em instantes,
intensos,
vividos em você.
Não sei o que o teu coração deseja,
nem quais sonhos você guarda em silêncio.
Só sei que desejo descobrir,
passo a passo,
o caminho que me leve
ao teu encontro...
só eu e você.
E, se um dia você não me quiser,
não será meu corpo que morrerá,
mas a parte de mim
que aprendeu a viver
na esperança do teu amor.
Quando me envolvo em teus braços,
meu corpo estremece,
como folhas dançando
ao primeiro vento da estação.
A nossa...
primavera.
Tenho vontade de beijar tua boca,
de me perder no teu olhar,
de ler cada gesto teu
como quem encontra poesia
onde antes havia apenas
rascunhos
de uma vontade imensa
de amar você.
Meu coração permanece
envolto em teu nome,
e meu amor cresce
até ser grande o bastante
para que eu me entregue,
inteiramente,
a você.
Se amar é esperar,
esperarei.
Se amar é permanecer,
permanecerei.
Porque, desde que você chegou,
o tempo já não mede as horas...
Mede a distância
entre um abraço
e o próximo.
E, quando esse próximo abraço chegar,
quero que o mundo pare,
que o silêncio nos cubra
e que o tempo,
pela primeira vez,
tenha inveja de nós.
Pois descobri
que a eternidade
não é viver para sempre.
É viver um instante
inteiro
em você.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 076
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