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Poesias

Essa Noite

Há noites em que o mundo parece barulhento demais, e tudo o que desejamos é silêncio. Entre a vontade de desaparecer por algumas horas e o desejo secreto de ouvir uma voz do outro lado do telefone, nasce esta poesia — um diálogo íntimo entre a madrugada,

21/09/2026 · 22 leituras · Edição № 087/2026
Essa Noite

Essa noite não preciso de nada,

nem de ninguém.

E talvez,

nem de mim mesmo.

Só preciso calar a boca,
fechar os olhos
e dormir em paz.

Não pensar em coisa alguma,
apenas esperar que alguém ligue,
tarde da noite,
para contar como foi o seu dia.

A essas horas,
não sei se me ligaria
ou se, por acaso,
ligaria para mim.

Talvez eu não pertença a este mundo,
onde se exige que tenhamos
os pés sempre no chão
e onde falsos anjos
insistem em nos mostrar o caminho.

Queria que este dia nunca terminasse.

Que o sol continuasse brilhando
como se ainda fosse madrugada,
e que as estrelas permanecessem acesas,
ardentes,
como um desejo incrédulo
de que alguma coisa ainda pudesse acontecer.

Mas o sol se põe.

E a noite chega.

E amanhã o dia será novamente quente,
apressado,
cheio da correria de sempre.

Todos acordam.

Todos seguem.

Todos repetem
os mesmos gestos,
os mesmos caminhos,
os mesmos padrões.

E eu...

continuo dormindo.

Talvez porque dormir
seja a única maneira
de não acordar
para a monotonia
deste mundo.


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Enoque Mendes

Escrito e editado em Goiânia, Goiás

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