Poesias

Entre Orgulho e Feridas

Há dores que endurecem a alma, e outras que ensinam a permanecer vivo.

13/05/2026 às 20:51 Edição № 043/ 2026 35 leituras
Enviar por WhatsApp
Entre Orgulho e Feridas

Como pesa o orgulho
quando o mundo exige dureza
e te veste de ferro
mesmo sangrando por dentro.

Te olham como gigantes,
chefes de um reino sem paz,
mas ignoram as noites
em que tua alma desaba em silêncio.

Riem dos teus caminhos,
das tarefas pequenas, dos sonhos tortos,
e ainda assim apertam tua mão
como se fossem irmãos.

É preciso amar o amanhecer
mesmo depois da tempestade.
Acalmar o espelho da alma
antes que ele reflita só a fúria humana.

Porque o homem aprende cedo
que amar também machuca.
E às vezes,
quem te abraça
é o mesmo que te empurra do precipício.

Então você grita.
Tempestade viva.
Pulso fechado.
Olhos queimando de decepção.

Mas respira.

Segura o caos dentro do peito
e lembra de tudo o que te trouxe até aqui.
Das quedas.
Das perdas.
Das vezes em que quase deixou de acreditar.

O mundo ensina crueldade
como se fosse sobrevivência.
E pouco a pouco
vamos nos despindo da inocência
até restar apenas cicatriz e memória.

Ainda assim,
se alguém te pedir ajuda,
não negue teu coração.
Só aprenda a olhar adiante
antes de entregar a alma inteira.

Porque sempre haverá alguém
com a lâmina escondida nas costas,
pronto para ferir
aquilo que em você ainda é luz.

Mas não deixe a mágoa te consumir.

Que tua dor
não seja um túmulo,
mas um clarão
em memórias escuras.

Que tuas virtudes escorram
como rios depois da chuva,
e que a esperança,
mesmo ferida,
continue encontrando caminho para nascer em vida em ti.

(09/03/2004)

 

E. Mendes, em Goiânia.

Publicado na Edição Sequencial 043

Comentários ( 0)

Seja o primeiro a comentar.

Acompanhe de perto

Palavras que chegam
até você.

Entre no canal oficial e receba novos textos, crônicas e novidades diretamente no WhatsApp.