Poesias

Entre Idas e Retornos

O que fica quando a gente volta.

31/03/2026 às 18:50 Edição № 018/ 2026 20 leituras
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Entre Idas e Retornos

Volto pelo caminho de onde vim,

onde antes não havia estreitos —

agora, existem.

Pelo corredor, observo o vento

empurrar as cortinas finas,

como mãos invisíveis

peneirando o sol,

esfriando a luz,

clareando o que antes ardia.

Podia ser melhor,

digo, vendo o que vejo agora.

Portas abertas pelo caminho

me levam do dentro ao fora,

da casa ao jardim,

de mim ao que não controlo.

Se fosse por escolha,

restaria saber:

qual caminho é meu

se todos parecem levar a algum lugar?

Então me encontro sentado —

não à mesa de um bar,

mas encostado em mim mesmo,

onde, enfim, me entrego

sem destino para alcançar.

As taças estão vazias,

mas meus pensamentos transbordam.

E me pergunto, em silêncio:

há alguém, nesse mundo,

capaz de me enxergar?

Embriagado de emoções,

sem razão, sem ação,

não sei onde quero estar —

apenas sei

que preciso estar em algum lugar.

Que sentido há na vida,

senão o ir e voltar,

o abrir e fechar,

o chegar e se deixar,

o amar —

e também odiar?

Às vezes, é preciso voltar.

Não para repetir o erro,

nem para reviver a dor,

mas para enxergar

o que ficou esquecido —

e, enfim, escolher melhor.


E. Mendes, em Goiânia.

Publicado na Edição Sequencial 018

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