Entre Idas e Retornos
O que fica quando a gente volta.
Volto pelo caminho de onde vim,
onde antes não havia estreitos —
agora, existem.
Pelo corredor, observo o vento
empurrar as cortinas finas,
como mãos invisíveis
peneirando o sol,
esfriando a luz,
clareando o que antes ardia.
Podia ser melhor,
digo, vendo o que vejo agora.
Portas abertas pelo caminho
me levam do dentro ao fora,
da casa ao jardim,
de mim ao que não controlo.
Se fosse por escolha,
restaria saber:
qual caminho é meu
se todos parecem levar a algum lugar?
Então me encontro sentado —
não à mesa de um bar,
mas encostado em mim mesmo,
onde, enfim, me entrego
sem destino para alcançar.
As taças estão vazias,
mas meus pensamentos transbordam.
E me pergunto, em silêncio:
há alguém, nesse mundo,
capaz de me enxergar?
Embriagado de emoções,
sem razão, sem ação,
não sei onde quero estar —
apenas sei
que preciso estar em algum lugar.
Que sentido há na vida,
senão o ir e voltar,
o abrir e fechar,
o chegar e se deixar,
o amar —
e também odiar?
Às vezes, é preciso voltar.
Não para repetir o erro,
nem para reviver a dor,
mas para enxergar
o que ficou esquecido —
e, enfim, escolher melhor.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 018
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