Poesias

Enquanto Houver Amor

Entre a solidão, o vazio e a difícil descoberta de aprender a amar a si mesmo.

13/08/2026 às 20:09 Edição № 082/ 2026 17 leituras
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Enquanto Houver Amor

O que pensar da solidão?

Apenas a possuo. Não sei.

Uma solidão tão forte que magoa,
um sol que nasce morto,
um mundo preto e branco diante dos meus olhos.
Meu mundo de ilusões,
meu mundo de desgraças.

Penso que posso controlar o tempo.
Penso que posso controlar o mundo.

E que tal o seu?

Talvez eu possa escrevê-lo.
Talvez possa controlar o seu,
já que o meu permanece vazio.

Nada sou.
Nunca serei.

Será que algum dia serei alguém?

Minha solidão me afaga,
me afoga
e, às vezes,
até me faz bem.

O mal sempre parece prevalecer.
Talvez eu tenha que sorrir.

Mas será que ainda me lembro?
Como era mesmo?

Talvez eu tenha que fazer mais.
Talvez eu tenha que lutar contra mim mesmo.

E, se eu lutar,
que seja para vencer aquilo que existe dentro de mim.

Sua presença me afaga.

Talvez eu tenha que possuir a vida intensamente,
preencher o vazio com desejos,
com sonhos,
com aquilo que ainda me resta.

Não esquecer o passado,
mas também não viver dentro dele.

Será que terei forças?
Será que devo lutar?
Será que devo desistir de tudo?

Mas e o vazio que deixaria
no coração de quem me ama?

Isso, nunca.

Devo lutar.
Devo ser eu mesmo.

Você me ama
como eu sou,
mesmo quando eu não consigo me amar.

Você supera aquilo que eu não consigo superar.
Aceita aquilo que eu não consigo aceitar.

E eu,
que sou eu,
às vezes me desprezo.

Tanto,
que chego a pensar em não viver.

Mas, para desistir,
ainda tenho você.

Você me afaga.
Você me ama.

Por você, eu vivo.
Por você, vou viver.

E sempre terei você.

Em toda a minha solidão,
em toda a minha eternidade,
seguirei vivendo.

Aprendendo a me amar.
Aprendendo a aceitar quem sou.
E, pouco a pouco,
amando-me ainda mais.

Você me afaga.
Você me possui.

Eu tenho você.

Você me tem.

E, enquanto houver amor em nossos olhos,
continuarei vivendo.

Porque talvez a solidão nunca vá embora.

Mas talvez eu também nunca mais precise
enfrentá-la sozinho.
 

 

E. Mendes, em Goiânia.

Publicado na Edição Sequencial 082

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