É ela
Algumas pessoas chegam devagar. Outras chegam como resposta. Esta poesia fala sobre aquela presença rara que não muda apenas os dias, mas a forma como enxergamos a nós mesmos.
É ela,
que junta, emenda, restaura o que estava quebrado.
E, às vezes, até quebra, mas apenas aquilo que já não servia, para reconstruir algo mais forte, mais inteiro, mais verdadeiro.
É ela,
de sorrisos largos, jeito elegante, voz impactante, que se torna suave quando encontra a minha.
E faz suave também a tempestade dos meus pensamentos, o peso dos meus dias, o silêncio das minhas noites.
Quando a vejo nos olhos, e ela me vê,
o mundo parece diminuir até caber na distância de um olhar.
Como se o tempo, por um instante, esquecesse de passar.
Como se todas as estradas que percorri sem saber tivessem me trazido exatamente até ali.
É ela,
que transforma o comum em lembrança, o instante em eternidade, e a presença em abrigo.
Ela, que sem prometer nada, me faz acreditar em tudo.
E, entre tantas certezas que a vida nunca me deu,
há apenas uma que carrego sem medo:
se existe um lugar onde meu coração descansa por completo,
é quando encontro os olhos dela encontrando os meus.
E, nesse encontro, sem precisar dizer palavra alguma,
eu sei:
é ela.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 057
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