Do impulso a eternidade
Quando o coração aprende a ficar.
A paixão testa, inquieta, impaciente,
como quem bate à porta sem saber esperar.
O amor… o amor prova em silêncio,
como quem fica, mesmo quando tudo convida a ir.
A paixão acelera o coração,
faz do tempo um sopro descompassado,
arde como chama que dança ao vento.
Mas o amor… ah, o amor retarda,
faz cada segundo criar raiz,
e transforma instantes em eternidade.
A paixão repete o corpo,
decora caminhos já conhecidos,
procura no toque o que falta na alma.
O amor cria o corpo…
reinventa gestos, descobre universos,
faz de um abraço um lar inteiro.
A paixão acusa, aponta, exige,
carrega nas mãos o peso do orgulho.
O amor perdoa…
porque entende que sentir também é falhar,
e ainda assim escolhe ficar.
A paixão não pensa,
se lança, se perde, se consome.
O amor pesa…
mas não como quem hesita,
e sim como quem valoriza cada escolha.
A paixão vasculha,
procura respostas no desespero de encontrar.
O amor descobre…
sem pressa, sem ruído,
como quem encontra beleza até no que não buscava.
A paixão anda rápido,
quer tudo agora, inteiro, intenso.
O amor se eterniza…
não porque dura para sempre,
mas porque, quando é verdadeiro,
permanece mesmo depois do fim.
E no meio disso tudo,
entre a chama e a brasa,
entre o impulso e a escolha,
somos nós,
tentando aprender que sentir é fácil,
mas amar…
amar é uma construção diária
de coragem, entrega e verdade.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 037
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