Poesias

Do impulso a eternidade

Quando o coração aprende a ficar.

23/04/2026 às 20:53 Edição № 037/ 2026 71 leituras
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Do impulso a eternidade

A paixão testa, inquieta, impaciente,

como quem bate à porta sem saber esperar.

O amor… o amor prova em silêncio,

como quem fica, mesmo quando tudo convida a ir.

A paixão acelera o coração,

faz do tempo um sopro descompassado,

arde como chama que dança ao vento.

Mas o amor… ah, o amor retarda,

faz cada segundo criar raiz,

e transforma instantes em eternidade.

A paixão repete o corpo,

decora caminhos já conhecidos,

procura no toque o que falta na alma.

O amor cria o corpo…

reinventa gestos, descobre universos,

faz de um abraço um lar inteiro.

A paixão acusa, aponta, exige,

carrega nas mãos o peso do orgulho.

O amor perdoa…

porque entende que sentir também é falhar,

e ainda assim escolhe ficar.

A paixão não pensa,

se lança, se perde, se consome.

O amor pesa…

mas não como quem hesita,

e sim como quem valoriza cada escolha.

A paixão vasculha,

procura respostas no desespero de encontrar.

O amor descobre…

sem pressa, sem ruído,

como quem encontra beleza até no que não buscava.

A paixão anda rápido,

quer tudo agora, inteiro, intenso.

O amor se eterniza…

não porque dura para sempre,

mas porque, quando é verdadeiro,

permanece mesmo depois do fim.

E no meio disso tudo,

entre a chama e a brasa,

entre o impulso e a escolha,

somos nós,

tentando aprender que sentir é fácil,

mas amar…

amar é uma construção diária

de coragem, entrega e verdade.

 

E. Mendes, em Goiânia.

Publicado na Edição Sequencial 037

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