Diz
Entre o amor que fica e a saudade que aprende a ficar.
Foste minha alma
ou ao menos o lugar
onde ela descansava.
Diz-me do destino
como quem sussurra ao ouvido,
não como lâmina que fere,
mas como toque que permanece
mesmo depois da partida.
Há no amor
um gesto quase eterno:
ele não se desfaz
apenas muda de forma
dentro da gente.
Levaste contigo
partes de mim
que eu nem sabia que eram tuas.
E no silêncio que ficou,
aprendi que sentir
também é uma forma de existir.
Faço companhia às noites,
mas já não me perco nelas
porque em cada sombra
ainda encontro traços teus.
E se me perguntam da razão,
respondo com o peito:
nem tudo precisa fazer sentido
quando o coração insiste
em lembrar.
Os sonhos não morreram
apenas amadureceram na ausência.
A vida, mesmo em pedaços,
reaprende a amar
com o que restou.
E o que restou…
ainda é muito.
Ficaram teus gestos,
teus silêncios,
teu jeito de existir em mim
sem pedir permissão.
Não digo adeus
o amor não entende essa palavra.
Ele se transforma,
se esconde,
mas nunca parte por inteiro.
E ainda assim…
eu sigo.
Amando em fragmentos,
lembrando em detalhes,
vivendo na esperança
de que, em algum instante da vida,
o amor encontre novamente
um lugar para ficar.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 024
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