Dificilmente Calado
Às vezes, o silêncio não nasce da falta de palavras, mas do excesso delas dentro do peito. Há sentimentos que caminham entre o querer e o impossível, entre a presença imaginada e a ausência real. Esta poesia fala sobre aquilo que permanece mesmo quando na
Difícil permanecer calado
quando a mente implora
e o coração suplica.
Ainda assim, o silêncio se impõe…
não como castigo,
mas como processo.
Uma reflexão inevitável
sobre quem fomos,
quem somos
e aquilo que ainda devemos ser.
Mais difícil do que sentir
é entender
o que devemos fazer.
O que queremos
quase nunca podemos.
E o que podemos,
muitas vezes não enxergamos,
ou enxergamos tarde demais.
Existe um início.
Existe um meio.
Mas certos sentimentos
não conhecem fim.
Conhecem apenas o silêncio.
E o silêncio perdura,
carregado de dúvidas,
culpas,
vergonhas
e incertezas.
Ele aperta o coração
e cala justamente
quem mais deseja falar.
Talvez não seja a hora.
Nem o momento.
Talvez nem seja o tempo.
Mas em qual universo
estaríamos juntos
entre tantas possibilidades?
Num mundo real,
e não somente nesse universo particular
que inventamos para sobreviver,
onde um beijo,
um abraço
e a simples conveniência de estar
transformam qualquer lugar
no melhor lugar do mundo.
Permaneço sem dizer.
Sem tocar.
Sem estar.
Mas existe um espaço no peito
onde continuo gritando sem parar:
“onde você está?”
E, ao mesmo tempo,
te percebo em toda parte.
Porque talvez
você esteja
em qualquer lugar.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 048
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