Depois da Tempestade
Porque alguns mundos precisam desabar para que outros possam nascer.
Em meio à tempestade,
o vento leva consigo
tudo o que encontra pelo caminho,
sejam coisas boas
ou não.
Em meio à tempestade,
não há escolha,
nem certeza
do que irá ficar
ou voar.
Na turbulência,
caem muros,
casas e árvores.
Estradas desaparecem,
revelando aquilo
que havia escondido sob elas.
Não se sabe,
e talvez nunca se saiba,
por onde seguir.
A não ser que se voe.
E, mesmo assim,
é difícil compreender a paisagem,
distinguir o que existia
do que vivia ali.
Ao certo sabemos
que algumas tempestades são necessárias.
Não porque destroem,
mas porque renovam,
retirando tudo aquilo
que impedia o florescer.
Mas o mais curioso é que,
mesmo quando parece
que o mundo está acabando,
não conseguimos enxergar,
nem imaginar,
o mundo novo que surgirá,
até que o amanhecer ilumine
aquilo que desejamos ver.
Porque ela faz acreditar
que sempre existe algo melhor.
Só porque
estaremos lá,
de mãos dadas,
vendo o mundo recomeçar.
No café,
no almoço,
no entardecer,
e no caminhar.
Nos dias comuns,
nos extraordinários,
e em cada novo amanhecer
que a vida nos permitir viver.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 059
Comentários ( 2)
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