Como está sua vida?
Entre a ausência e a lembrança, ainda é você quem me habita.
Como está sua vida?
quantas voltas ainda cabem nela?
eu caminho
entre retalhos de memória
e uma noite
que nunca terminou
onde você está?
por onde se perdeu de mim?
há em mim uma urgência
quase silenciosa
de te encontrar —
como se disso dependesse
o pouco que ainda sou
você…
meu querubim
tão distante
e ainda assim
tão dentro
cuida de mim
mesmo sem saber
como se, em algum lugar,
eu ainda fosse teu
teu abraço —
largo, demorado —
ainda me alcança
nas noites frias
em que penso demais
é nessas horas
que tudo se aproxima
a loucura
a maldade
o medo
ficam à espreita
como quem aguarda
um deslize meu
e eu sigo
por becos escuros
dentro de mim
onde não há paz
nem luz
apenas reflexos
de uma consciência cansada
de existir
de sentir
de lembrar
porque até a dor
às vezes…
parece inocente
quando é tudo
o que resta de você
Escrito 30/03/2004 finalizado as 00:57hs
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 017
Comentários ( 0)
Seja o primeiro a comentar.