Poesias

Alma Purpurina

Há sentimentos que não cabem na razão. Eles florescem em silêncio, atravessam o tempo e encontram na poesia a única forma de existir. "Alma Purpurina" nasceu desse encontro entre a entrega, o encanto e a delicadeza de um amor que transforma quem ama.

01/07/2026 às 01:54 Edição № 069/ 2026 17 leituras
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Alma Purpurina

Minha púrpura flor,

Fazei de mim o teu cálice,
o teu orvalho pela manhã,
a atmosfera do teu encanto.

Despertai meus olhos cegos
e as sérias questões do coração.
Tocai o meu sexto sentido,
adivinhai meus pensamentos
e os instantes dominados por doces beijos.

Monopolizai aquele único momento
em que o doce deixa de ser doce
para tornar-se simplesmente inexplicável.

Caíste em minha vida como o sol,
rompendo a escuridão
e dissipando todos os mistérios nocivos;
como a chuva que cai
e apaga os riscos da parede
ou da calçada
onde um dia contemplei o nascer do sol.

Possuí-me por inteiro,
um pouquinho de cada vez.
Querubim, para ser sincero,
agora já não posso dizer não...

Fazei de mim o teu encanto.
Transformai meus sonhos em desejos,
reais como vós,
querubim sincero.

Teus beijos me aquecem;
tua chuva me refresca.
São testemunhas
de um amor tranquilo.

O céu é a nossa fantasia,
e as pessoas que nos olham lá de baixo
mal imaginam
que aqui somos um só,
cercados pelo perfume das rosas
plantadas no jardim de nossos corações.

Tu podes voar, meu amor,
se assim quiseres,
porque eu te amo.

E, se pudesse desejar algo mais,
seria apenas amar-te
ainda mais.


E. Mendes, em Goiânia.

Publicado na Edição Sequencial 069

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