A Verdadeira Forma do Amor
Um coração dividido entre o céu e o abismo.
Ah… faço de mim
o entardecer de uma ilusão,
a primavera silenciosa
de um amor proibido,
impossível de negar.
Em meus olhos trêmulos,
minhas mãos procuram alcançar
teu rosto solitário,
como quem tenta segurar
o vento frio da noite.
Que eu não seja apenas
a razão de um pecado perfeito,
escondido nas sombras
de dúvidas tão humanas.
Quisera eu possuir esse dom:
os divinos olhos do coração,
a eterna compreensão,
essa estranha e inexplicável
forma verdadeira do amor.
Quem me dera alcançar, um dia,
a paz de não sentir mais
o vazio que abraça minha alma.
A tua voz me aquece…
mas por que quis Deus permitir
um amor assim,
tão igual ao meu?
O que hoje vive em mim
respira como um verso triste:
solidão em meus olhos,
indecisão em meu peito.
Mas responde-me,
querubim:
Posso um dia te encontrar?
Posso um dia finalmente ser feliz?
E será pecado pedir
para permanecer contigo?
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 045
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