Sem Procurar
Às vezes, é quando deixamos de procurar que a vida nos faz encontrar aquilo que faltava... silenciosamente, entre o acaso e o destino.
Sem saber,
sem procurar,
encontrei
o que jamais pensei
existir,
ou talvez
o que pensei já ter encontrado.
Minha visão turva,
alimentada por jornais
e novelas de televisão,
fantasiava sentimentos,
criava histórias
que a vida comum
parecia incapaz de viver.
Até que um dia,
deleitando-me ao sol,
sentado em um velho banco de madeira,
sob uma árvore cansada,
de poucas folhas
e quase nenhuma sombra,
parei para observar o céu
como nunca havia feito antes.
O céu…
sempre o mesmo,
mudando apenas em suas nuvens
arrastadas pelo vento.
Ora escondendo o sol,
ora anunciando a noite.
E ela…
com seus problemas,
seus inúmeros defeitos,
veio ao meu encontro.
Talvez por acaso.
Mas não por acaso
permaneceu.
E assim como o dia chega
e a noite parte,
angustio-me pelo amanhã,
torcendo para que exista
mais um amanhecer
ou outro entardecer
em que eu possa repousar,
ainda que brevemente,
em teus braços.
Agora, ao observar o céu
durante a noite,
já não vejo estrelas.
Vejo apenas um horizonte ofuscado,
não pelas luzes das cidades,
mas pelas dúvidas
que pairam no ar,
trazidas pelos ventos
da imaginação.
Então eu oro.
Peço ao vento que cesse.
Que não leve embora
o lugar onde ela está.
Porque, no fim,
ser, estar
e viver
não depende do mundo ao redor.
Em teus olhos encontro calma,
Silêncio para meus medos,
Tempo para minha alma repousar,
Entre tantos caminhos incertos,
Renasço toda vez que estou com você.
Não importa o lugar.
Desde que seja
com você.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 053
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