Quando Eu Já Não Esperava
Eu já não esperava mais. Não por falta de querer, mas por ter aprendido a viver sem. Até que, sem pedir licença, você apareceu… e me fez sentir de novo.
Houve um tempo em que eu comecei a desistir do amor.
Não de forma brusca, nem declarada. Foi aos poucos. Silencioso. Como quem vai apagando uma luz sem perceber exatamente quando o ambiente ficou escuro.
Eu continuava ali, presente, útil. Sempre disponível. Sempre pronto. Mas havia uma diferença sutil — eu já não me sentia escolhido, apenas necessário.
E existe uma distância enorme entre ser importante e ser amado.
Com o tempo, fui me acostumando com essa ideia. A de que talvez o amor fosse algo que acontece uma vez, ou poucas vezes, e depois se transforma em lembrança. Algo que a gente respeita… mas já não espera mais viver.
Até que, sem aviso — porque o acaso nunca avisa — você apareceu.
E não veio perfeita.
Veio com seus problemas, seus dias difíceis, seus silêncios atravessados… e seus sorrisos também. Aqueles que surgem meio sem querer, mas que ficam mais tempo do que deveriam.
No começo, eu não entendi.
Não era sobre “se apaixonar de novo”. Eu já não funcionava mais assim. Era outra coisa. Mais leve. Mais quieta. Mais real.
Você não tentou me convencer de nada.
Mas, sem perceber, me mostrou.
No jeito que encara a vida.
Na forma como insiste, mesmo quando tudo parece cansar.
Na maneira simples — quase despretensiosa — de existir.
E foi aí que algo mudou.
Não de uma vez. Não como antes.
Mas suficiente.
Suficiente pra eu perceber que talvez o amor não tivesse ido embora.
Talvez ele só estivesse esperando um momento menos ideal… e mais verdadeiro.
Hoje, eu não sei explicar exatamente o que isso é.
Mas sei como me sinto.
E, depois de tanto tempo, isso já é muito.
Me sinto bem.
E, acima de tudo, grato.
Porque, às vezes, quando a gente acha que já viveu tudo o que tinha pra viver…
o acaso aparece.
E faz a gente começar de novo.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 012
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