O Peso e a Paz do Mesmo Dia
A crônica retrata a rotina de uma pessoa que acorda cedo, enfrenta um dia de trabalho intenso e ainda faz hora extra. Ao voltar para casa à noite, ela sente cansaço e um leve arrependimento pelo ritmo acelerado da vida, mas também experimenta satisfação p
O despertador toca antes do sol aparecer. Ainda escuro, o quarto parece pedir mais alguns minutos de descanso, mas a vida lá fora não espera. Ele se levanta devagar, quase no automático. Café rápido, um olhar pela janela e a sensação de que o dia já começou correndo.
A rua ainda boceja quando ele sai de casa. Algumas pessoas caminham apressadas, outras ainda estão abrindo as portas das lojas. O mundo vai acordando enquanto ele já está no meio da luta diária.
No trabalho, o relógio parece andar diferente. Reuniões, tarefas, telefonemas, prazos. Um problema que surge, outro que precisa ser resolvido antes do almoço. Quando percebe, o café da manhã já virou lembrança distante e o dia está na metade.

A tarde chega com mais urgência do que calma. As horas extras aparecem quase como uma visita que ninguém convidou, mas que também ninguém pode mandar embora. Ele aceita. Respira fundo e continua.
Lá fora, a cidade começa a acender suas luzes. Dentro do escritório, ele ainda termina mais uma tarefa, mais um relatório, mais um detalhe que não pode ficar para amanhã.
Quando finalmente sai, já é noite. O ar parece diferente, mais silencioso. No caminho de volta, surge aquele pensamento inevitável: Será que vale a pena viver sempre correndo assim?
Há um pequeno arrependimento que aparece de vez em quando — o tempo que passou rápido demais, as coisas simples que ficaram para depois, as conversas que não aconteceram.
Mas, ao abrir a porta de casa, também existe outra sensação. Uma mais tranquila.
A de quem lutou mais um dia.
Ele tira os sapatos, senta por alguns minutos e deixa o silêncio da casa descansar seus pensamentos. O dia foi longo, cansado, cheio de pressa… mas foi vencido.
E no fundo do cansaço, existe uma satisfação silenciosa:
a de saber que, apesar de tudo, ele não desistiu.
Amanhã o despertador vai tocar de novo.
E ele vai levantar outra vez.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 001
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