Meu Lugar Preferido Não Tem Endereço
Porque o melhor lugar do mundo não é um endereço, é a tua voz, o teu cheiro e o teu abraço que me fazem ficar.
O melhor lugar do mundo não aparece no mapa. Não tem placa, nem CEP, nem rota no GPS. É curioso, porque muita gente passa a vida inteira procurando esse lugar em viagens, cidades novas, casas maiores… e não percebe que ele sempre esteve ali — em alguém.
É na tua voz.
Na forma como ela chega sem pedir licença e, ainda assim, organiza tudo dentro de mim. Como se cada palavra tua soubesse exatamente onde tocar, onde acalmar, onde reconstruir o que o dia tentou bagunçar. Tua voz não é só som — é abrigo. É o lugar onde o silêncio deixa de ser vazio e passa a ser descanso.
É no teu cheiro.
Algo que não se explica, só se reconhece. No meio de tantos perfumes, tantas ruas, tantas pessoas… é o teu que fica. É o teu que gruda na memória, na roupa, no travesseiro e, principalmente, em mim. Teu cheiro é casa sem parede, é lembrança viva, é presença mesmo quando você não está.
É no teu abraço.
Porque o mundo pode até continuar correndo lá fora, cheio de pressa, de cobrança, de ruído… mas dentro do teu abraço o tempo desacelera. Ali não tem disputa, não tem medo, não tem dúvida. Tem só a certeza simples de que, por alguns segundos ou por uma vida inteira, tudo está exatamente onde deveria estar.
E é na vida onde você está.
Não importa se é uma tarde comum, um dia difícil ou um momento qualquer entre tantos outros. Quando você está, a vida ganha outro peso — ou melhor, perde o peso que não precisava carregar. As coisas ficam mais leves, mais possíveis, mais vivas.
No fim, o melhor lugar do mundo não é um lugar.
É você.
E. Mendes, em Goiânia.
Publicado na Edição Sequencial 040
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